A segunda reunião do mecanismo de consulta sobre comércio e investimento entre China e União Europeia (UE) foi marcada por discussões pragmáticas e produtivas. Os dois dias de trabalhos, nos dias 8 e 9, em Beijing, chegaram ao consenso sobre 16 resultados que abrangem quatro áreas fundamentais. Os dois lados concordaram em realizar a terceira reunião em março de 2027.

China e UE são parceiras estratégicas abrangentes, e a cooperação permanece como a característica definidora de seu relacionamento. No entanto, nos últimos anos, o protecionismo tem crescido no bloco europeu. Alguns políticos da região têm propagado narrativas equivocadas, incluindo a suposta “supercapacidade produtiva” e o “desequilíbrio comercial” chinês, criando obstáculos à cooperação econômica e comercial normal bilateral.
Em junho deste ano, as duas partes fizeram a reunião inaugural do mecanismo em Bruxelas, com o objetivo de fortalecer o diálogo em nível ministerial sobre políticas de comércio e investimento, visando a estabilizar e equilibrar as relações bilaterais. Ao abordar as principais preocupações comuns, o mecanismo compreende quatro pilares: equilíbrio comercial e de investimento, controles de exportação, direitos de propriedade intelectual e reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Na reunião recente, os dois lados reafirmaram o status como parceiros comerciais fundamentais, baseado em um relacionamento estável e equilibrado. Além disso, comprometeram-se a tratar das divergências econômicas e comerciais e das preocupações mútuas de forma equilibrada, dentro da estrutura das regras da OMC, a explorar meios de aprofundar a cooperação mutuamente benéfica e a impulsionar o comércio bilateral rumo a um maior equilíbrio e progresso.
Sobre o consenso em 16 resultados, Xia Chuanxin, pesquisador associado do Instituto de Estudos Europeus da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica do Ministério do Comércio, disse que o destaque mais significativo é a decisão de colocar a questão automotiva em um caminho de negociação contínua. O setor é um exemplo primordial da cooperação econômica entre China e UE.
As duas partes chegaram a um entendimento sobre o comércio de veículos híbridos em conformidade com as regras da OMC e concordaram em prosseguir com os procedimentos relativos a compromissos de preços e à revisão dos casos de antissubsídios envolvendo veículos elétricos.
Essas medidas evitaram uma escalada da situação e salvaguardaram efetivamente os interesses de exportação das empresas chinesas. A reunião também obteve progressos nas listas de controles de exportação e direitos de propriedade intelectual, indicando que o mecanismo de consulta sobre comércio e investimento avançou além da fase de estruturação para uma etapa de resultados concretos.
A produção econômica total da China e da UE representa mais de um terço do total mundial, enquanto o volume de comércio corresponde a mais de um quarto do fluxo global.

Durante a segunda reunião, ambas as partes concordaram que uma relação econômica e comercial estável e saudável não apenas beneficia às suas respectivas empresas e populações, mas também injeta segurança e energia positiva no crescimento econômico do mundo e na estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos. Além disso, visto que tanto a China quanto a UE são defensoras e contribuintes do sistema multilateral de comércio, o acordo para reforçar ainda mais a comunicação e a cooperação de maneira aberta e construtiva e discutir todas as questões relacionadas à reforma da OMC é de grande importância para o avanço conjunto do multilateralismo e o aprimoramento da governança global.
