O chamado Indo-Pacífico está sumindo, enquanto a região Ásia-Pacífico permanece

“Indo-Pacífico”, o termo geopolítico que já foi tão utilizado, está agora sumindo.

Recentemente, o Pentágono dos Estados Unidos anunciou que o “Comando do Indo-Pacífico” voltaria a ser chamado de “Comando do Pacífico”, sua denominação anterior. Sobre isso, o diretor do Instituto Quincy para a Governança Responsável (Quincy Institute for Responsible Statecraft), Sarang Shidore, publicou em julho um artigo no qual afirma que o retorno do nome antigo não é um assunto simples. Ao contrário, representa uma mudança na estratégia dos EUA para a Ásia.

Sarang Shidore lembrou também que, já em novembro de 2025, o governo estadunidense anunciou o rebaixamento do Diálogo de Segurança Quadrilateral, que inclui EUA, Índia, Japão e Austrália, do nível de líderes para o de ministros das Relações Exteriores. Ao mesmo tempo, nas comunicações oficiais dos EUA, o conceito de Indo-Pacífico desapareceu rapidamente.

Isso não é nenhuma surpresa — conceitos alimentados pela ansiedade estratégica estão fadados a oscilar conforme as mudanças nas estratégias, e círculos mantidos por meio de posturas fechadas e autoritárias acabarão sumindo à medida a opinião pública muda.

De fato, nesta região, existe há muito tempo um espaço de abertura, inclusão e prosperidade comum chamado Ásia-Pacífico.

Em 1989, foi criada a Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (APEC). Desde então, este mecanismo vem se desenvolvendo rapidamente porque a APEC carrega o DNA do regionalismo aberto, da autonomia voluntária e do consenso construído por meio de consultas. Sem muros, barreiras ou restrições obrigatórias, economias desenvolvidas e em desenvolvimento sentam-se à mesma mesa, e ninguém precisa provar lealdade a ninguém. Hoje em dia, o PIB dos 21 membros da APEC representa mais de 60% do PIB global.

Depois de Shanghai, em 2001, e Beijing, em 2014, a China recebe a APEC pela terceira vez neste ano. Nos dias 18 e 19 de novembro, a 33ª Reunião Informal de Líderes da APEC, sob o tema “Construir uma comunidade de futuro compartilhado da Ásia-Pacífico e promover a prosperidade comum”, será realizada em Shenzhen, no sul do país.

“Ásia-Pacífico” não é um conceito presente em um relatório estratégico, mas sim a vida, as oportunidades e o futuro compartilhado por bilhões de pessoas.

CRI Português

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