Recentemente, alguns meios de comunicação e think tanks ocidentais levantaram a chamada teoria do “China Squeeze”, alegando que as exportações das indústrias chinesas de manufatura e de novas energias estão ocupando espaço no mercado global e afetando o processo de industrialização dos países em desenvolvimento.
Em resposta a essa tese, o historiador Adam Tooze, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, publicou no início deste ano um artigo na plataforma Substack, no qual afirma que a chamada teoria do “China Squeeze” não passa de uma completa farsa.
O professor Adam Tooze mencionou no artigo:
Em 2010, estudiosos estadunidenses propuseram o chamado conceito de “China Shock”, analisando principalmente o impacto da adesão da China à Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos.
Em 2020, estudiosos europeus propuseram a chamada “versão 2.0 do China Shock”, motivada principalmente pela preocupação com a ameaça que os veículos elétricos chineses representam para a indústria automotiva europeia.
Em 2026, dois estudiosos indianos apresentaram na revista norte-americana Foreign Affairs a chamada “versão 3.0 do China Shock”, ou seja, a teoria do “China Squeeze”.
Adam Tooze afirma em seu artigo que, se os dois conceitos anteriores ainda podem ser considerados pesquisas parcialmente baseadas em fatos e dados econômicos, a chamada teoria do “China Squeeze” é uma mera especulação contrafactual. Os autores não discutem o que já aconteceu ou o que está prestes a acontecer, mas passam o artigo inteiro formulando hipóteses.
Tooze avalia que as três versões do chamado “China Shock” compartilham um erro comum: ignorar deliberadamente seus próprios problemas de desenvolvimento e, em vez disso, atribuir a culpa à China.
O professor apontou que o desenvolvimento não funciona como uma fila e que não se deve demonizar a China, mas sim normalizar o mundo. Segundo ele, a chamada teoria do “China Squeeze” existe apenas no plano hipotético, mas, no mundo real, uma China poderosa está simplesmente trilhando seu próprio caminho de desenvolvimento, sem espremer ninguém.
