
O Ministério da Defesa do Japão divulgou, no dia 4, a edição de 2026 do Livro Branco da Defesa. Chama a atenção o fato de a capa adotar um estilo anime, retratando “famílias sorridentes e uma cidade iluminada”.
No entanto, com um volume recorde de 598 páginas, o documento exagera amplamente a chamada “crise de segurança regional”, continua a classificar a China como “o maior desafio estratégico sem precedentes”, promove as políticas de expansão militar do governo de Sanae Takachi e destaca a transformação do sistema operacional das Forças de Autodefesa, além do desenvolvimento da indústria bélica.
Isso envia um sinal claro: o Japão está se libertando rapidamente das restrições impostas pelo sistema pacifista do pós‑guerra e avançando em ritmo acelerado rumo à remilitarização.
Nesse contexto, o novo Livro Branco da Defesa volta a difamar e acusar a China sem fundamentos, alimenta a chamada “ameaça chinesa” e propõe mobilizar o “poder nacional abrangente”, em coordenação com países parceiros, para fazer frente à China. Analistas avaliam que isso indica que as provocações do Japão tendem a se expandir para múltiplas áreas. Sob o pretexto da suposta “ameaça da China”, o Japão está reestruturando sistematicamente sua estratégia de segurança nacional, preparando o terreno para a revisão dos três documentos de segurança prevista para este ano.
É especialmente alarmante que o documento também faça comentários indevidos sobre a questão de Taiwan, alegando que as atividades militares chinesas ao redor da ilha se tornaram mais frequentes e que o ambiente estratégico de segurança no entorno do Japão atravessa seu período mais grave e complexo desde o pós‑guerra. Trata‑se de uma interferência grosseira nos assuntos internos da China, com o objetivo de criar justificativas para uma eventual intervenção no Estreito de Taiwan.
Além disso, pela primeira vez, o livro branco dedica um capítulo independente aos chamados “novos modos de combate”. O texto propõe aplicar de forma ativa capacidades tecnológicas governamentais e civis, como inteligência artificial (IA) e drones, ao setor de defesa, além de estabelecer um novo modelo militar apoiado por IA. Não se trata apenas de uma atualização tecnológica, mas de um esforço para fortalecer a capacidade militar do Japão, integrando tecnologias civis, indústria e formação de pessoal.
O verdadeiro cerne do novo Livro Branco da Defesa do Japão é formar um ciclo fechado: “exagerar ameaças externas — criar um senso de crise interno — promover o fortalecimento militar — articular‑se com forças extrarregionais — retroalimentar a indústria bélica”. Por meio desse mecanismo, o Japão busca passar da “defesa exclusivamente defensiva” para capacidades de ataque, da “defesa territorial” para a projeção de poder além de suas fronteiras e da imagem de “país pacífico” para uma postura de expansão militar.
A publicação evidencia ainda mais o fortalecimento do chamado o “novo militarismo japonês”e os riscos que ele representa. Diante desse cenário, a comunidade internacional deve manter elevada vigilância e adotar medidas concretas para contê-lo.
