
No dia 31 de julho, o Japão criou oficialmente a Agência Nacional de Inteligência e realizou a primeira reunião da Conferência Nacional de Inteligência, sob a presidência da primeira-ministra japonesa, Takaichi Sanae. O governo japonês afirmou que a medida tem como objetivo integrar os órgãos de inteligência e enfrentar a chamada “infiltração de espiões”. No entanto, a avaliação predominante é de que a iniciativa representa uma provocação descarada por parte das forças da direita do país contra a ordem internacional estabelecida no pós-guerra.

Esse sistema não se limita ao território japonês. O governo do país já deixou claro que vai elaborar uma lei antiespionagem, ampliar a interceptação de comunicações e estudar a criação de uma agência de inteligência externa nos moldes da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, a CIA. A nova versão da Estratégia Nacional de Inteligência estará diretamente articulada à chamada “capacidade de contra-ataque” das Forças de Autodefesa (SDF, na sigla em inglês), ou seja, à “capacidade de atacar bases inimigas”. Isso significa que a inteligência japonesa passará de uma postura defensiva para uma atuação ativa de vigilância e reconhecimento, criando condições para possíveis ataques preventivos.

O pesquisador associado do Instituto de Estudos do Nordeste Asiático dos Institutos Chineses de Relações Internacionais Contemporâneas (CICIR, na sigla em inglês), Xu Yongzhi, apontou que a Agência Nacional de Inteligência do Japão e a Conferência Nacional de Inteligência terão como foco a coleta de informações sobre as movimentações estratégicas dos países vizinhos, incluindo a China. Essas movimentações abrangem as áreas diplomática, militar e de inteligência e servem, principalmente, à implementação das atuais estratégias externa e militar do Japão. Na Estratégia de Segurança Nacional japonesa, publicada em 2022, a China foi claramente definida como o maior desafio estratégico enfrentado pelo país até então.
O uso de redes de inteligência como etapa preparatória sempre fez parte da estratégia adotada pelo Japão para iniciar guerras de agressão. Antes de invadir a China, o Exército japonês recorreu justamente a essas redes para se infiltrar no país e preparar o terreno para a ofensiva militar. Agora, o Japão voltou a construir uma máquina de inteligência centralizada, com um objetivo claro: acompanhar de perto a situação de segurança dos países vizinhos e reunir informações para uma possível intervenção militar.
