Deputados moçambicanos serão formados em mandarim

Cooperação educacional reforça laços sino-moçambicanos e aposta na capacitação linguística da juventude parlamentar.

Num movimento que reforça a cooperação entre Moçambique e a China, o Gabinete da Juventude Parlamentar (GJP) da Assembleia da República de Moçambique iniciou um processo de parceria com o Instituto Confúcio da Universidade Eduardo Mondlane (CI-UEM) para promover a formação em mandarim destinada aos jovens deputados.

O encontro, realizado na sede do Parlamento em Maputo, capital de Moçambique, teve como objectivo delinear mecanismos de cooperação institucional para viabilizar o ensino da língua chinesa, considerada uma das mais influentes no cenário global contemporâneo.

Segundo o presidente do GJP, Inocêncio Fani, a iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla de fortalecimento das competências dos jovens parlamentares.

“O domínio de várias línguas é essencial no mundo actual. O mandarim permitirá uma interacção mais eficaz com deputados e parceiros internacionais”, afirmou. Fani destacou ainda que a proposta foi bem acolhida pela instituição parceira, estando prevista, nos próximos dias, uma visita técnica às instalações do Instituto Confúcio para avaliação das condições de ensino e definição do modelo de formação.

Por sua vez, o director do Instituto Confúcio, Liu Jichao, manifestou total disponibilidade para apoiar a capacitação linguística dos deputados. “O mandarim está em franco crescimento a nível internacional. Em Moçambique, onde há uma presença significativa de investimentos chineses, o domínio da língua pode facilitar a comunicação e impulsionar oportunidades”, sublinhou.

Deputados da Assembleia da República de Moçambique e equipa do Instituto Confúcio

A iniciativa de formação dos jovens deputados insere-se num contexto mais amplo de fortalecimento das relações bilaterais entre Moçambique e a China, com enfoque na educação, cultura e desenvolvimento humano.

Ao apostar na capacitação linguística da sua juventude parlamentar, Moçambique dá um passo significativo rumo a uma maior integração no cenário internacional, consolidando pontes de diálogo e cooperação num mundo cada vez mais interligado.

 Instituto Confúcio: Uma ponte entre culturas

Criado em 2012, o Instituto Confúcio da Universidade Eduardo Mondlane tornou-se a principal plataforma de ensino da língua e cultura chinesas no país. A instituição resulta da cooperação entre a Universidade Eduardo Mondlane e a Zhejiang Normal University.

Ao longo dos anos, o instituto expandiu a sua presença para várias instituições de ensino, incluindo a Universidade Joaquim Chissano, a Universidade do Rovuma e o Instituto de Línguas de Maputo.

Para além da formação linguística, o Instituto promove intercâmbios culturais e académicos, consolidando-se como um elo estratégico entre os dois países.

Dados avançados pela instituição indicam que cerca de 98% dos graduados em língua chinesa conseguem emprego, sobretudo em empresas de capitais chineses que operam em Moçambique.

Este cenário reflecte o impacto directo da cooperação sino-moçambicana, particularmente em sectores como energia, construção e indústria extractiva. Empresas como a China National Petroleum Corporation têm, inclusive, apoiado a formação de estudantes moçambicanos.

Director do Instituto Confúcio, Liu Jichao

O director do CI-UEM, Liu Jichao, explica que a escolha do país para a institucionalização deste centro de aprendizagem surge no âmbito da cooperação entre a Zhejiang Normal University, da China, e a Universidade Eduardo Mondlane. Assim, Moçambique é o quarto país africano onde esta universidade implantou o instituto, depois dos Camarões, da Tanzânia e da África do Sul. “Resulta ainda do entendimento de que os institutos Confúcio no mundo são cruciais como pontes que conectam os países, nas áreas de educação, sociedade, tecnologia, indústria e comunicação”, disse.

No início, o CI-UEM funcionava em instalações arrendadas, promovendo cursos de curta duração na língua chinesa. O novo edifício é partilhado com a Escola de Comunicação e Artes (ECA) e foi inaugurado em 2020.

“Durante este período, leccionávamos cursos livres, que não conferiam qualquer grau académico. Também promovemos intercâmbios culturais entre artistas moçambicanos e chineses. Nos próximos dias, um grupo de moçambicanos estará na China para participar num festival de língua e cultura chinesa”, acrescentou.

Ensino de mandarim em Moçambique reforça ligação com a China e abre novas oportunidades

O ensino da língua chinesa em Moçambique continua a ganhar destaque, reflectindo uma cooperação cada vez mais dinâmica entre o país e a China. O fortalecimento do mandarim é visto não apenas como um avanço educacional, mas como um investimento estratégico no futuro da juventude moçambicana.

O Instituto Confúcio anunciou planos para expandir o ensino do mandarim para escolas secundárias e universidades, além de trabalhar na sua integração gradual no currículo do ensino geral como língua estrangeira. A iniciativa visa democratizar o acesso ao idioma e preparar uma nova geração mais conectada ao cenário global.

Estudantes que frequentam cursos de mandarim destacam os benefícios directos da aprendizagem. “Aprender mandarim abriu portas para um programa de intercâmbio na China. Foi uma experiência transformadora, tanto académica como cultural,” afirma Ana Luís, estudante universitária em Maputo.

Outro estudante, Carlos Mavie, reforça: “O contacto com a cultura chinesa ajudou-me a desenvolver uma visão mais ampla do mundo. Hoje consigo comunicar com parceiros internacionais e isso faz diferença.”

Os programas de intercâmbio cultural têm sido apontados como um dos maiores ganhos, permitindo aos estudantes moçambicanos vivenciar de perto a sociedade chinesa, fortalecer competências linguísticas e criar redes profissionais.

Autor: Alberto Zuze

CRI Português

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