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Sanções da UE contra Rússia alimentam inflação alta e expõem divisões internas

Foto tirada no dia 28 de abril de 2022 mostra o escritório da gigante de energia da Rússia Gazprom em Moscou, Rússia. (Foto por Alexander Zemlianichenko Jr/Xinhua)

Roma – A decisão da União Europeia (UE) no início desta semana de proibir 90 por cento das importações de petróleo da Rússia até o final do ano visa prejudicar a economia russa em meio à crise de alto nível na Ucrânia.

Mas a medida, parte de uma ampla gama de sanções, também deve resultar em preços de energia ainda mais altos, ao mesmo tempo em que expõe divergências políticas dentro do bloco de 27 países, disseram especialistas.

A medida dos líderes europeus abrange apenas as importações marítimas de petróleo russo, permitindo uma exceção temporária para o oleoduto de petróleo. Essa exclusão da proibição beneficia a Hungria, um estado-membro da UE sem litoral que obtém quase todo o seu petróleo da Rússia por meio de oleodutos.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, disse que, apesar da isenção concedida à Hungria, a proibição ainda abrangeria a maior parte das importações de petróleo russo para a UE.

Mas a mudança tem um custo. De acordo com dados oficiais da Comissão, os preços ao consumidor na zona do euro subiram um recorde de 8,1 por cento em maio, após um aumento de 7,4 por cento no mês anterior.

Os fatores mais significativos que contribuíram para o aumento dramático dos preços, segundo os economistas, foram direta ou indiretamente relacionados aos custos da energia: transporte, indústria, agricultura e questões da cadeia de suprimentos.

Cortar a maioria das importações de petróleo da Rússia provavelmente pressionará mais os preços, de acordo com muitos analistas.

A decisão dos líderes europeus já elevou os futuros do petróleo, com os contratos para entregas em julho subindo 3,5 por cento na segunda-feira, dia em que a Comissão fez seu anúncio.

Mas a isenção feita para a Hungria, pobre em energia, também é evidência de crescentes divergências entre os estados-membros da UE, de acordo com relatos da mídia. A decisão pode incentivar outros países a buscar isenções especiais em decisões futuras.

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi Di Maio (direita), participa da reunião do Conselho de Relações Exteriores da UE em Bruxelas, Bélgica, no dia 16 de maio de 2022. (Xinhua/Zheng Huansong)

Juntando-se à Hungria, a Itália e a República Tcheca também romperam com a maioria do bloco na UE ao pedir uma solução negociada para o conflito na Ucrânia, em vez de uma política focada principalmente em continuar fornecendo fundos e armas para a Ucrânia.

Essa postura não impediu que os líderes europeus concordassem esta semana em fornecer mais 9 bilhões de euros (9,6 bilhões de dólares americanos) em financiamento para a Ucrânia.

A última rodada de sanções também incluirá o congelamento de ativos russos fora do país e excluirá o maior banco da Rússia, o Sberbank, do sistema internacional de transferência SWIFT.

Algumas emissoras russas também foram impedidas de distribuir seu conteúdo comercialmente na UE.

As medidas foram legalmente endossadas por todos os 27 estados-membros da UE na quarta-feira.

Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, chamou o acordo desta semana de “realização notável”.

Cliente escolhe óleo de cozinha no supermercado Lidl em Bruxelas, Bélgica, no dia 29 de março de 2022. (Xinhua/Zheng Huansong)

Mas analistas disseram que, com as crescentes divergências entre os Estados-membros, pode ser mais difícil obter um acordo total para futuras rodadas de sanções contra a Rússia.

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