{"id":3570,"date":"2023-11-22T06:52:20","date_gmt":"2023-11-22T09:52:20","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodepe.com.br\/cri\/?p=3570"},"modified":"2023-11-22T06:52:20","modified_gmt":"2023-11-22T09:52:20","slug":"do-lazer-a-descoberta-de-uma-paixao-a-historia-da-primeira-mocambicana-que-leciona-mandarim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodepe.com.br\/cri\/2023\/11\/22\/do-lazer-a-descoberta-de-uma-paixao-a-historia-da-primeira-mocambicana-que-leciona-mandarim\/","title":{"rendered":"Do lazer \u00e0 descoberta de uma paix\u00e3o: a hist\u00f3ria da primeira mo\u00e7ambicana que leciona mandarim"},"content":{"rendered":"<p>O primeiro contato que a mo\u00e7ambicana e docente universit\u00e1ria Olga Marlene teve com a l\u00edngua chinesa foi em 2015. Na altura, era tudo diferente e novo para ela: os sons, a grafia e a cultura, mas nem mesmo isso a impediu de prosseguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEmbora fosse tudo novo e, at\u00e9 certo ponto engra\u00e7ado, prossegui, e n\u00e3o desisti\u201d, conta Olga Marlene ao Grupo de M\u00eddias da China (CMG), sentada num restaurante na cidade de Maputo, capital mo\u00e7ambicana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na primeira aula, Olga lan\u00e7ou-se \u00e0s gargalhadas, devido \u00e0 dist\u00e2ncia e diferen\u00e7a fon\u00e9tica entre o mandarim e a sua l\u00edngua materna, o portugu\u00eas. Foi sempre nesse clima de descontra\u00e7\u00e3o e divers\u00e3o que nasceu e cresceu a paix\u00e3o pela l\u00edngua chinesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cQuando dei por mim, eu estava interagindo nas aulas com frequ\u00eancia. Comecei a gostar e a destacar-me positivamente\u201d, conta a professora, enquanto vasculha, na mente, mem\u00f3rias do ano em que frequentou o curso livre de mandarim no Centro do Instituto Conf\u00facio, em Maputo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela recorda que quando se inscreveu para o curso livre de mandarim apenas buscava uma ocupa\u00e7\u00e3o para os tempos livres, depois de ter conclu\u00eddo o curso m\u00e9dio em jornalismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cInesperadamente, essa busca por ocupa\u00e7\u00e3o nos tempos livres foi substitu\u00edda e brotou, ent\u00e3o, um amor imenso ao ponto de\u201d &#8211; sublinha a primeira docente mo\u00e7ambicana de mandarim &#8211; \u201catualmente j\u00e1 n\u00e3o me vejo distante da l\u00edngua e cultura chinesas.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante o curso livre, com dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas meses, Olga Marlene come\u00e7ou a perceber a l\u00f3gica do idioma deste povo com uma cultural milenar, \u201ca cada dia de aulas eu ia tendo mais interesse pela l\u00edngua.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar disso, os tr\u00eas meses n\u00e3o foram suficientes para a fazer falar mandarim, \u201ceu entendia, ao fim dos tr\u00eas meses, como funcionava o chin\u00eas, mas eu n\u00e3o falava\u201d, referiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOs Analectos de Conf\u00facio marcaram minha passagem pela universidade\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com no\u00e7\u00f5es e entendimento da l\u00f3gica do mandarim, no ano seguinte, 2016, e com a idade para frequentar a universidade, Olga Marlene, tendo feito o curso livre e introduzida a l\u00edngua, cultura e literatura chinesas, decidiu prosseguir com os estudos em mandarim. Essa era a \u00fanica certeza que tinha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cConcorri exatamente para o curso de mandarim para fazer a minha licenciatura\u201d, disse Olga Marlene.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas desta vez, tudo seria um pouco mais diferente. As aulas seriam di\u00e1rias. Teria mais disciplinas por assistir e o seu futuro dependia disso, \u201cassim como no curso livre, aqui tamb\u00e9m voltei a destacar-me.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre as aulas de avalia\u00e7\u00e3o da fala e da audi\u00e7\u00e3o e artes marciais chinesas, decorreu o percurso universit\u00e1rio da jovem que mais tarde se tornaria a primeira professora mo\u00e7ambicana a lecionar mandarim no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTive uma professora chinesa que encorajava muito aos estudantes\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em resposta aos apelos da professora, Olga Marlene dedicou-se bastante e viria a ser uma das melhores estudantes e posteriormente docente da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a primeira e a mais antiga universidade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo ela, no curso estava previsto viagens de interc\u00e2mbio para China e Olga Marlene participou em dois destes interc\u00e2mbios, \u201cter viajado para China foi bom para mim, pois estive com os nativos e esse interc\u00e2mbio ajudou-me a melhorar, cada vez, o meu entendimento do idioma.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela disse que, no fim do curso, os Analectos de Conf\u00facio a marcaram bastante pelo facto de ter sido poss\u00edvel, por meio destes, perceber a filosofia e cultura chinesas.<\/p>\n<p>\u201cPor meio deste foi poss\u00edvel perceber como \u00e9 que o povo chin\u00eas pensa. A colet\u00e2nea n\u00e3o foi organizada por ele. Os disc\u00edpulos dele foram coletando seus pensamentos a partir daquilo que ouviam e foram escrevendo. Foi muito bom para mim aprender aquilo. Se eu tivesse oportunidade de aprender um pouco mais, faria, porque aprendemos de forma muito superficial.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde 2015 at\u00e9 hoje, Olga Marlene soma mais de cinco anos de contacto com a l\u00edngua chinesa e, nestes anos todos, o seu amor pelo idioma tem aumentando, mas \u00e9 a escrita que a deixa mais apaixonada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA escrita me impressiona, porque mostra o qu\u00e3o inteligentes eles s\u00e3o. S\u00e3o um povo muito inteligente e isso, para mim, revela-se na sua escrita. Os tra\u00e7os t\u00eam uma l\u00f3gica. Eles n\u00e3o s\u00f3 escrevem. H\u00e1 aqueles caracteres que s\u00e3o formados a partir do som, h\u00e1 aqueles que s\u00e3o formados a partir da imagem, e h\u00e1 aqueles que s\u00e3o formados a partir do significado, ent\u00e3o a escrita deles me impressiona muito.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Continuando, pegou numa caneta e um papel e deu um exemplo escrevendo, \u201ce mesmo quando juntamos esses tra\u00e7os n\u00e3o vai ser de forma desregrada que s\u00f3 vais e escreves. E eu ainda prefiro os caracteres ao Pin Yin\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em seguida, Olga Marlene refere: quando vejo os caracteres, eu tenho a plena certeza do que se est\u00e1 a dizer. E voltando \u00e0 caneta e papel, escreveu um caracter onde evidenciou que a pron\u00fancia \u00e9 a mesma, mas os carateres s\u00e3o diferentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por outro lado, a professora conta que a preserva\u00e7\u00e3o da cultura milenar \u00e9 uma das coisas que ela admira deste povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEles ensinam essa cultura aos filhos, netos e na escola e \u00e9 assim como eles mant\u00eam essa cultura ao longo de anos\u201d, salienta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cDo outro lado: De estudante para docente\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois do curso, com a dedica\u00e7\u00e3o, ela se destacou e n\u00e3o tardou que a UEM expressasse interesse em t\u00ea-la como docente. Na altura, ela passou por uma avalia\u00e7\u00e3o e foi aprovada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste momento, Olga Marlene saiu do lado de estudante e passou para o lado de professora. Se antes, estava sentada ouvindo, hoje ela fica em p\u00e9 ensinando estudantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNo in\u00edcio, foi muito dif\u00edcil trocar a personagem, mas agora j\u00e1 entendo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nessa altura, ela disse que uma das dificuldades estava em lecionar a estudantes que tinham sido seus colegas, mas que tinham reprovado e estando agora juntos na mesma sala, mas em posi\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cAgora tenho um enorme prazer de estar a lecionar mandarim que \u00e9 uma das minhas maiores paix\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Olga Marlene \u00e9 graduada em L\u00edngua, Cultura e Literatura Chinesa pela UEM.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro contato que a mo\u00e7ambicana e docente universit\u00e1ria Olga Marlene teve com a l\u00edngua chinesa foi em 2015. 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