
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, desembarcou no dia 13 deste mês nas Ilhas Curilas do Sul (chamadas pelo Japão de Territórios do Norte) e inspecionou uma fábrica de processamento de produtos marinhos na Ilha de Iturup (conhecida no Japão como Etorofu). Esta é a primeira vez que Putin visita o arquipélago. Devido à disputa sobre a soberania desse território, a Rússia e o Japão ainda não assinaram um tratado de paz desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Na véspera de seu desembarque, ao expor a posição russa em relação ao país asiático, Putin destacou que o Japão se aproveitou da situação entre a Rússia e a Ucrânia para impor sanções injustificadas a Moscou e classificou a Rússia como uma das principais fontes de ameaça em seu novo documento de defesa. A soberania russa sobre as Ilhas Curilas do Sul é um resultado consolidado da ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial e possui plena base jurídica.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, refutou no dia 13 os comentários feitos pelo Japão sobre a visita do presidente Putin à Ilha de Iturup. Zakharova afirmou que, passados quase 81 anos desde que o Japão assinou o instrumento de rendição incondicional, Tóquio volta a propagar uma retórica “revisionista”, na tentativa de eximir-se de seus atos de agressão na Ásia. Essa “política míope” vai na contramão dos esforços da maioria dos países asiáticos na manutenção da paz, da segurança e da cooperação.
A Agence France-Presse (AFP) observou que a visita de Putin à ilha não é apenas um jogo diplomático em relação ao Japão, mas também um alerta claro contra a aproximação de Tóquio com a OTAN e os ajustes em sua política de defesa. O Japão tem usado a aliança EUA-Japão para estender seus tentáculos militares e sua postura tornou-se mais dura. As divergências territoriais, sobrepostas ao embate no âmbito da segurança, não apenas reduzem a margem de manobra de ambos os países, como também tornam ainda mais difícil a retomada das negociações do tratado de paz, há muito tempo paralisadas.
