O vencedor do Prêmio Nobel de Física Konstantin Novoselov concedeu recentemente uma entrevista exclusiva ao Grupo de Mídia da China (CMG, na sigla em inglês). Com uma simples fita adesiva, ele conseguiu isolar um material que transformaria o mundo: o grafeno. Ao falar sobre ter recebido o Prêmio Nobel de Física aos 36 anos, afirmou: “A intuição humana sempre estará no centro das descobertas científicas e do pensamento criativo.”
Ao comentar as vantagens competitivas da China na cadeia produtiva do grafeno, área em que desenvolve suas pesquisas, Novoselov destacou que o país tem capacidade de garantir o fornecimento de matérias-primas e, sobretudo, conta com um grande número de profissionais qualificados.
Segundo ele, uma das razões pelas quais a tecnologia do grafeno consegue se desenvolver com relativa facilidade na China é a existência de uma cadeia de suprimentos contínua e completa.
Os novos materiais, por si só, são apenas parte da solução e precisam ser integrados de alguma forma à cadeia de suprimentos — e isso é justamente o que a China já conseguiu fazer. Por isso, desenvolver tecnologias baseadas em grafeno na China é mais fácil do que em muitos outros países.
Sobre o papel dos planos quinquenais da China no avanço científico e tecnológico do país, Novoselov afirmou: “Trabalho há muitos anos com colegas chineses e fico muito feliz por poder testemunhar pessoalmente como essas políticas se transformam em resultados tecnológicos concretos.” Na avaliação dele, a inovação tecnológica na China começou há bastante tempo, mas foram o 12º (2011–2015) e o 13º (2016–2020) Planos Quinquenais, especialmente o 13º, que realmente mudaram os rumos do desenvolvimento. Esses planos deram atenção especial à ciência e à tecnologia.
Ao tratar dos impactos da geopolítica na cooperação científica internacional, Novoselov afirmou ter presenciado diversos casos lamentáveis em que fatores geopolíticos levaram à paralisação de projetos de cooperação, algo que, segundo ele, lhe causa profunda tristeza.
Ao longo da carreira, ele colaborou com cientistas de diferentes países e continentes, e afirmou valorizar muito esse tipo de parceria. Para ele, “o avanço da ciência nunca pode ser dissociado da colaboração internacional”, e manifestou o desejo de que essas parcerias continuem no futuro.
