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Especialista brasileiro explica como a China excede as expectativa de crescimento

A China responde por um quarto da manufatura global. Mas será que o país ainda consegue manter esse ritmo de crescimento? Com o envelhecimento da população e a pressão sobre o setor imobiliário, como o governo chinês pretende enfrentar esses desafios?

Para o especialista brasileiro em negócios com a China e doutor em Direito pela USP, Emanuel Pessoa, o fracasso recorrente da “teoria do colapso da China” ao longo de 20 anos tem uma razão fundamental: o país possui uma lógica de governança única, baseada no pensamento de engenheiros e no sistema de planejamento quinquenal.

Esse sistema não é uma mera carta de intenções, mas uma estratégia nacional que pode ser executada e acompanhada. O fato de o plano “Made in China 2025” ter atingido mais de 80% de suas metas é uma prova contundente dessa coerência política.

Professor da Universidade de Relações Exteriores da China, Emanuel Pessoa destaca que os investimentos do país em inteligência artificial e robótica podem oferecer alternativas produtivas fundamentais para lidar com o envelhecimento populacional. Esse é um dos principais motivos de seu otimismo em relação ao crescimento da China no longo prazo.

Durante o programa, Emanuel também compara as prioridades de investimentos da China e dos Estados Unidos: enquanto os estadunidenses gastaram trilhões de dólares em guerras que não trouxeram resultados no Oriente Médio nas últimas duas décadas, a China aplicou recursos equivalentes em infraestrutura e educação. Como resultado, acumulou uma força industrial que hoje representa um quarto da produção manufatureira global.

Emanuel acredita que o caminho chinês, que prioriza o comércio em vez de conflitos, não apenas beneficia seu próprio povo — como mostra o feito histórico de retirar 800 milhões de pessoas da pobreza —, mas também abre possibilidades únicas de cooperação para a economia mundial.

O especialista brasileiro conclui que o sucesso da China não é isento de imperfeições, mas sua capacidade de superar repetidamente  as expectativas está no pragmatismo, no planejamento e na execução. Ele acredita que, se a China mantiver o rumo atual, sua economia continuará competitiva durante a próxima revolução tecnológica.

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