
O Gabinete de Informação do Conselho de Estado da China divulgou nesta quarta-feira (17) o livro branco intitulado “Construção de um Sistema de Governança Global Mais Justo e Razoável: Conceitos, Iniciativas e Ações da China”. Na coletiva de imprensa, o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, apresentou quatro frentes de trabalho da China para aprofundar e levar adiante a Iniciativa de Governança Global (IGG).
Wang Yi, também membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China, destacou que a IGG visa o bem-estar comum da comunidade internacional e baseia-se nos esforços conjuntos de todos os países. Ele lembrou que as nove diretrizes apresentadas pela China na reunião do “Grupo de Amigos da Governança Global”, realizada no mês passado na sede da ONU, receberam repercussão positiva do Secretariado da ONU e de outras partes.
Na próxima etapa, segundo Wang Yi, a China buscará aprofundar e implementar a IGG de forma mais concreta. “A causa exige não apenas que os grandes países desempenhem um papel responsável, mas também que os mecanismos multilaterais funcionem de forma eficaz e, principalmente, que toda a comunidade internacional una esforços”, afirmou Wang Yi.
Quanto ao novo plano chinês, o chanceler detalhou as quatro prioridades. A primeira é revitalizar o regionalismo aberto. Wang Yi ressaltou que a China sediará a Reunião Informal de Líderes da APEC, a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, com o objetivo de obter mais resultados em comércio, conectividade, inovação e desenvolvimento, impulsionar a construção de uma comunidade Ásia-Pacífico e injetar novo dinamismo na paz e no desenvolvimento da região e do mundo.
A segunda é fortalecer a governança em áreas emergentes. Wang Yi afirmou que a China está disposta a trabalhar com a comunidade internacional para buscar consensos e inovar mecanismos de governança, promovendo o desenvolvimento benéfico e inclusivo da inteligência artificial e a transição global para uma economia verde e de baixo carbono.
A terceira prioridade é fortalecer a construção de plataformas de governança. O chanceler citou como exemplo a criação do Instituto Internacional de Mediação, iniciativa lançada pela China para contribuir, em conjunto com outros países, para a resolução pacífica de disputas internacionais.
Por último, o esforço está voltado à construção de consensos globais sobre governança. A China sediará, no outono deste ano, o primeiro Fórum de Governança Global de Xiong’an, reunindo representantes de diferentes setores de todo o mundo para discutir a reforma e o aprimoramento da governança global, com o objetivo de construir um consenso internacional mais amplo em torno de um sistema de governança global mais justo e equitativo.
Ao responder a uma pergunta de uma repórter do Grupo de Mídia da China (CMG, na sigla em inglês) sobre a preocupação com o fato de que a atual ordem internacional está regredindo para uma “lei da selva”, com o enfraquecimento da autoridade e do papel das Nações Unidas, Wang Yi ressaltou que o multilateralismo parece estar falhando não porque a ONU tenha perdido importância, mas justamente porque sua autoridade e seu papel não têm sido respeitados nem plenamente exercidos.
“Diante de uma infinidade de desafios globais que surgem sem cessar, a tarefa urgente é cumprir as obrigações da Carta da ONU, defender a igualdade soberana, respeitar o Estado de Direito internacional e se opor à política de força e à intimidação,” declarou o ministro chinês.
Wang Yi também sublinhou a importância de apoiar a ONU para que desempenhe seu papel central, usando essa plataforma para construir consensos globais, coordenar as ações entre os países, enfrentar desafios comuns e reduzir continuamente as lacunas e os déficits da governança global.
O ministro defendeu ainda a aceleração da reforma da ONU e uma resposta ativa às demandas dos países em desenvolvimento, com foco no fortalecimento da representatividade e da voz dos países do Sul Global, de modo a revigorar a vitalidade da ONU e ampliar sua eficácia.
“Temos a responsabilidade inalienável de defender a autoridade das Nações Unidas por meio do avanço da Iniciativa de Governança Global e estamos dispostos a trabalhar com todos os países para revitalizar e fortalecer as Nações Unidas,” concluiu Wang Yi.
