Nas reuniões anuais da Assembleia Popular Nacional (APN) e da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPCh), realizadas no começo deste mês, o governo chinês apresentou uma série de metas de desenvolvimento econômico e social, atraindo atenção global.
No entanto, alguns veículos de imprensa estrangeiros apresentaram falácias em suas interpretações, baseadas em leituras distorcidas. Alguns disseram que a “estratégia de desenvolvimento econômico da China foi forçada a se contrair”, outros alegaram que “a prioridade na tomada de decisões não colocou o consumo em primeiro plano”. Para alguns, ainda, “expandir a demanda interna se tornou mero slogan”.
Quais são os fatos?
Falácia 1: “A meta da China de crescimento do PIB entre 4,5% e 5%, a mais baixa em décadas, reflete uma mudança em sua estratégia econômica, passando de um modelo de crescimento voltado para a exportação para um modelo capaz de resistir a choques externos.”
Primeiramente, é preciso analisar a declaração completa. A meta proposta no Relatório de Trabalho do Governo foi de “crescimento econômico de 4,5% a 5%, com a busca por resultados ainda melhores na prática”.
Zhang Linshan, pesquisador do Instituto de Pesquisa Macroeconômica da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, afirmou que alguns veículos de mídia estrangeiros se concentraram apenas no número “4,5% a 5%” e interpretaram de forma unilateral a intenção por trás da meta de crescimento econômico da China.
Segundo ele, “uma meta de crescimento econômico de 4,5% a 5%, com esforços para alcançar resultados ainda melhores na prática”, é uma meta definida de forma científica, que considera a situação econômica interna e as complexas mudanças no ambiente externo, equilibrando as necessidades de desenvolvimento com as possibilidades realistas.
Falácia 2: “Beijing continua priorizando a autossuficiência industrial, como em inteligência artificial, em vez de impulsionar o consumo das famílias.”
Essa afirmação é falha do ponto de vista lógico. O desenvolvimento industrial e o estímulo ao consumo, assim como o avanço de novas forças produtivas de qualidade e a expansão da demanda interna, não são contraditórios, mas complementares. Essas leituras criam deliberadamente um conflito entre a modernização industrial da China e o estímulo ao consumo, o que não corresponde à orientação política expressa no Relatório de Trabalho do Governo.
Para Su Jian, diretor do Centro Nacional de Pesquisa Econômica da Universidade de Beijing, a busca da China pela autossuficiência industrial, especialmente na manufatura de alta tecnologia, visa, na verdade, apoiar a expansão do consumo, e não substituí-la.
Falácia 3: “Embora o Relatório de Trabalho do Governo tenha reiterado a expansão da demanda interna, ele fornece poucos detalhes sobre como fazê-lo especificamente.”
Su Jian acredita que o Relatório de Trabalho do Governo é um documento abrangente, que define diretrizes e orientações gerais. A implementação concreta depende de uma série de políticas formuladas por diferentes órgãos, como a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o Ministério das Finanças, a Administração Estatal de Impostos, o Ministério do Comércio e o Banco Popular da China.
Portanto, afirmar que “a estratégia de expansão da demanda interna carece de detalhes com base apenas no Relatório de Trabalho é uma leitura insuficiente.
