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China intensifica ajuda humanitária a Moçambique após cheias que afectaram quase 700 mil pessoas

A China reforçou o seu apoio humanitário a Moçambique na sequência das cheias e inundações que continuam a provocar perdas humanas, deslocações em massa e danos severos em infra-estruturas públicas e privadas em várias regiões do país, com maior incidência no sul.

Em centros de acolhimento temporário e zonas recentemente resgatadas no sul de Moçambique, sobreviventes relatam perdas profundas, mas também gestos concretos de solidariedade. Entre alimentos, materiais de abrigo e operações de emergência, a ajuda proveniente da China tanto do Governo como de empresas chinesas, tem sido apontada como decisiva num dos momentos mais críticos da actual época chuvosa. 

Segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), pelo menos 14 pessoas perderam a vida desde 7 de janeiro, 45 ficaram feridas e quatro continuam desaparecidas. Quase 692 mil pessoas foram afectadas, muitas das quais ainda aguardam resgate em zonas isoladas. As cheias deixaram cerca de 155 mil casas inundadas, 3.447 parcialmente danificadas e 771 totalmente destruídas, obrigando mais de 94 mil pessoas a procurar abrigo em 100 centros de acomodação temporária.

Desde o início da época chuvosa, em outubro, o balanço é ainda mais grave: 137 mortos, mais de 812 mil afectados e impactos significativos em infra-estruturas essenciais, incluindo 229 unidades sanitárias, 353 escolas, quatro pontes e cerca de 1.336 quilómetros de estradas. 

Face à dimensão da crise, o Governo moçambicano estimou em 537,6 milhões de euros os prejuízos causados pelas inundações e anunciou um plano de reconstrução para restabelecer serviços básicos e infra-estruturas estratégicas. Neste contexto, a China tem-se destacado tanto pelo apoio directo do Governo como pelo envolvimento activo de empresas chinesas a operar em Moçambique.

“Sem este apoio, não saberíamos como sobreviver”

Em um dos centros de abrigo na Matola, famílias deslocadas relatam que a chegada de alimentos e materiais de emergência trouxe algum alívio em meio à incerteza.

“Perdemos tudo com a água. Quando recebemos o arroz e os outros apoios, foi um sinal de esperança. Sabemos que não estamos sozinhos”, contou uma das vítimas, resgatada de uma zona isolada após vários dias sem acesso a assistência.

Depoimentos semelhantes foram registados em Tete, onde materiais mobilizados por empresas chinesas ajudaram a suprir necessidades imediatas. Para muitas famílias, a ajuda humanitária representa não apenas sobrevivência, mas também dignidade em meio à tragédia.

A presidente do INGD, Luísa Meque, destacou que o volume de afectados ultrapassa a capacidade nacional de resposta e sublinhou a importância do apoio internacional. 

“Este donativo e esta cooperação reforçam significativamente a nossa capacidade de resposta humanitária, sobretudo nas campanhas de emergência de 2025 e 2026”, afirmou. 

No mesmo âmbito, a Embaixada da República Popular da China entregou recentemente 91 toneladas de arroz ao INGD, destinadas a apoiar populações afectadas por ciclones nas regiões centro e norte do país. A cerimónia decorreu em Maputo e contou com a presença da embaixadora chinesa, Zheng Xuan, e de representantes do Gabinete da Primeira-Dama. 

A cooperação sino-moçambicana no domínio da gestão de desastres inclui ainda formação técnica de quadros nacionais, construção de casas pré-fabricadas, doações acumuladas de mais de 13 mil toneladas de arroz e programas de capacitação em gestão de risco. Associações empresariais chinesas anunciaram igualmente contribuições financeiras para apoiar a assistência às vítimas e a recuperação pós-desastre. 

Observadores destacam que, num cenário de vulnerabilidade climática crescente, a combinação entre ajuda governamental, responsabilidade social empresarial e cooperação internacional torna-se decisiva para mitigar impactos imediatos e reforçar a resiliência a médio e longo prazo.

Cooperação institucional e responsabilidade social em acção

A resposta chinesa à crise tem combinado acções governamentais e iniciativas do sector empresarial. A Primeira-Dama da República, Gueta Selemene Chapo, recebeu recentemente representantes do Grupo CJIC – China Jiangxi International Economic and Technical Cooperation – Sucursal de Moçambique, no quadro da coordenação dos esforços humanitários.

Após a audiência, o director-geral do grupo no país, Li Chengchun, expressou preocupação com a situação e reafirmou o compromisso da empresa.

“Estamos muito preocupados com o que Moçambique está enfrentando. Já mobilizamos materiais para Tete e Matola e continuaremos a colaborar com o Governo para apoiar as populações afectadas”, declarou.

A directora do Gabinete da Primeira-Dama, Laura Machava, sublinhou que o envolvimento do sector privado, aliado às instituições do Estado, é essencial para respostas rápidas e eficazes, sobretudo num contexto de eventos climáticos cada vez mais extremos.

Solidariedade que vai além da emergência

Na vertente diplomática, a embaixadora da China em Moçambique, Zheng Xuan, reafirmou que a ajuda humanitária reflecte a amizade duradoura entre os dois países.

“A China e Moçambique são parceiros e amigos. Quando o povo moçambicano enfrenta dificuldades, é natural que estejamos ao seu lado”, afirmou.

Empresários chineses também se associaram aos esforços de apoio. Durante a conferência anual da Associação dos Naturais de Henan em Moçambique, foi anunciada uma doação de um milhão de meticais para apoiar as vítimas das cheias e os trabalhos de recuperação pós-desastre.

Enquanto o Governo moçambicano estima em mais de 537 milhões de euros os prejuízos causados pelas inundações, especialistas alertam que a frequência e intensidade dos desastres naturais exigem respostas cada vez mais estruturadas e cooperação internacional contínua.

Em declarações à nossa reportagem o Governo chinês em Moçambique afirmou que continua a mobilizar mais recursos, em coordenação com as autoridades nacionais, para reforçar o apoio às vítimas das cheias, tanto na assistência imediata como na fase de reconstrução e recuperação.

Médicos chineses prestam assistência e oferecem material hospitalar aos munícipes de KaNyaka

No contexto das cheias e inundações que afectam várias regiões do país, o Município de Maputo (CMM), em parceria com a Equipa Médica Chinesa, prestou assistência médica a cerca de 500 munícipes do Distrito Municipal de KaNyaka, no âmbito das celebrações do Dia Mensal de Saúde.

A acção visou reforçar a resposta sanitária num período de emergência, marcado pelo aumento de doenças associadas às cheias. Foram mobilizadas equipas especializadas nas áreas de medicina interna, cirurgia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, garantindo atendimento integrado e gratuito à população.

A feira de saúde incluiu serviços de planeamento familiar, auto-teste de HIV, vacinação e cuidados de saúde oral, beneficiando sobretudo crianças, mulheres grávidas e idosos.

Falando em nome da Equipa Médica Chinesa, o seu representante afirmou que a iniciativa reflecte o compromisso da China com o povo moçambicano.

“Sabemos que as cheias trazem muitos riscos para a saúde das comunidades. A nossa missão é trabalhar lado a lado com as autoridades locais para aliviar o sofrimento da população e salvar vidas”, afirmou.

Na mesma ocasião, as unidades sanitárias de KaNyaka receberam diverso equipamento e material médico-cirúrgico, incluindo autoclave, lâmpadas de desinfecção, humidificadores de ar, termómetros, óculos de protecção, seringas, kits de testes rápidos para sífilis, HIV, hepatite, malária e gravidez, além de soros, estetoscópios e aparelhos de medição da tensão arterial.

O material foi entregue pela empresa China Road and Bridge Corporation (CRBC), no âmbito da sua responsabilidade social, com vista ao reforço da qualidade da assistência médica. A vereadora da Saúde no Município de Maputo, Alice de Abreu, destacou a importância da parceria.

“Esta acção demonstra que a cooperação internacional pode ter impacto directo na vida das pessoas, sobretudo em momentos de crise”, sublinhou.

Beneficiários manifestaram satisfação com o atendimento recebido. Maria João*, vítima das cheias, afirmou que o apoio chegou no momento certo.

“Fiquei doente depois das inundações e não tinha como me tratar. Aqui fui bem atendida e recebi medicamentos”, disse.

Outro paciente, António Mabunda, destacou a qualidade do serviço.

“Fomos tratados com respeito e atenção. Este apoio ajuda muito quem perdeu quase tudo”, referiu.

Por sua vez, o administrador do Distrito Municipal de KaNyaka, Benedito Silveira, afirmou que o equipamento recebido vai contribuir de forma significativa para a melhoria dos cuidados de saúde locais, sobretudo em períodos de emergência.

Jornalista: Alberto Zuze

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